Capítulo final: conferência sobre políticas públicas encerra Fligê

Com a sensação de despedida no ar, os participantes da Feira Literária de Mucugê ocuparam a sala do Centro Cultural a partir das seis da tarde para a conferência de encerramento com escritor e bibliotecário Cristian José Brayner.

“Primeiro temos que entender que política pública é o ato do governo em fazer ou não fazer. É o que se elege como prioridade. O principal verbo da política pública é escolher”, assim ele iniciou a conversa, como preferiu chamar o momento.

Segundo Cristian, hoje não se sabe quantas feiras literárias existem no Brasil. “Não tem política pública clara. Nesse ano, por exemplo, serão 13 feiras financiadas pelo Ministério da Cultura e nem sempre essas feiras são escolhidas por critérios republicanos”, alertou o expositor.

“Nós temos que acompanhar. Acompanhe com diligência as ações do ministério sobre esta pauta”, convocou, lembrando que quando as vozes ecoam na Esplanada dos Ministérios, os atores mudam seus atos, ou pelo menos, passam a agir com mais cuidado.

 

Para a assessora da Secretaria Estadual de Cultura, Déa Oliveira, esse momento serve de alerta. “É preciso discutir de fato as políticas públicas que versam sobre esse objeto da própria Fligê”.

O deputado federal Waldenor Pereira destacou que é preciso dar atenção à produção, publicação e distribuição editorial. “Uma frente de deputados, em caráter

 

suprapartidário, assinaram nossa proposição para a criação da Agência Nacional do Livro, visando incentivar não só a leitura, mas o acesso ao livro”, afirmou.

“Precisamos assumir o compromisso de cada um sair daqui como ativistas da leitura”, completou a professora e curadora da Feira, Ester Figueiredo.

DESPEDIDA MUSICADA – A trilha sonora final da Fligê ficou a cargo do Quinteto de Cordas Castro Alves, da Neojibá. Com oito músicos no palco do Calçadão Literário, regidos pelo maestro Marcos Rangel, o concerto teve início com a Ária da quarta corda, de Bach, e terminou com o tango Por una cabeza, de Carlos Gardel.

“Viemos na Fligê no ano passado e precisávamos voltar esse ano. Na definição do repertório, pensamos em mesclar o erudito e o popular, a boa música”, explicou o maestro, que incluiu Tom Jobim e Sivuca entre peças mais eruditas.

O maestro comparou a promoção de eventos como a Fligê para formação de crianças e jovens com o trabalho realizado pela Neojiba. “Nós acreditamos que o contato com o belo faz total diferença com o ser humano. A Fligê tem tudo a ver com isso, nós temos o mesmo espírito criativo, a ideia de dar acesso a todas as pessoas à literatura e acesso gratuito, está dando à população a oportunidade de ter um encontro com o belo. Esse encontro vai transformar a vida deles cada dia mais”, afirmou.

Assim, fechou-se o livro da segunda edição da Fligê. Até 2018, Chapada Diamantina!