Força, luta, persistência, resistência e dignidade

As cinco palavras que intitulam essa matéria nortearam o bate-papo com o escritor Aleilton Fonseca na tarde deste sábado (12), no Centro Cultural, em mais uma importante atividade da Feira Literária de Mucugê, abordando o tema do evento: “Somos paisagens do sertão em rotas de composição”.

Professor doutor e grande estudioso do tema, Fonseca contextualizou sobre a narrativa difundida pela nossa história contrapondo a ausência de narrativa feita pelos canudenses. “A história oficial contou
a seu modo e jeito, colocando aquele povo como rebeldes e loucos, agora cada vez mais, estamos fazendo um resgate em diferentes meios, como na sociologia, na história escrita e oral, na literatura, nas artes plásticas, no cinema, na música, para assim, resgatar a verdadeira história desse povo, num discurso do conflito que parta da voz do sertão”, disse.

Sempre empenhado em trazer à tona o discurso do sertanejo para dizer o que realmente foi o conflito, o escritor produziu o romance que apresentou na Fligê, “O Pêndulo de Euclides”. Quem também participou do momento foi o artista plástico Silvio Jessé, que contou sobre seus quadros que compõe “Canudos em Tela”. Canudos deixou para nós esse exemplo de bravura, dignidade, amor próprio por lutar por sua terra, cultura, crianças, mulheres e seus sonhos.

Canudos é um tema muito importante na história do Brasil e envolveu duas culturas em confronto. A cultura do poder e da elite contra a cultura e o povo sertanejo que moravam no Arraial de Belo Monte aos cuidados de Antônio Conselheiro. Depois de três expedições em que os sertanejos venceram na quarta, os aliados republicanos fizeram uma expedição com um forte armamento que resultou no massacre de Canudos.

“A Fligê se destaca nesse momento por rememorar os 120 anos da Guerra de Canudos, pois, ainda não houve no Brasil nenhum movimento grande sobre o tema. A Fligê é o primeiro a falar e aqui na Bahia, na Chapada que dialoga com o Sertão e traz esse assunto importantíssimo e contribui para disseminar com as pessoas que vieram até aqui a levar a reflexão e atiçar nosso amor próprio, que nesse momento, da mais triste república que vivemos, necessitamos dessa força para lutar por novos sonhos”, desabafou.