“Mulher escreve como mulher”

O termo “literatura feminina” e a ideia de separar a obra literária assinada por mulheres foram debatidos no painel “Bahia em estado feminino da escrita”, com as escritoras Ana Isabel Rocha e Martha Galrão, sob a mediação da professora Zoraide Portela.

Questões de uma cultura que restringe muito a mulher, em espaço e em voz foram levantadas, no início da tarde deste domingo, último dia da Fligê. “Vivemos outros e novos tempos e o movimento feminista parece passar por um amadurecimento”, iniciou a mediadora, dando espaço às escritoras convidadas.

“Escrevo porque sou mulher e sou mulher porque escrevo”, provocou Martha, autora de “A chuva de Maria”. “Nós carregamos um peso insuportável por sermos mulheres, somos criadas numa fragilidade, temos que ser boazinhas o tempo todo, dóceis e amorosas”.

Em consenso, as escritoras afirmaram que não concordam com as sub-categorias da literatura, que tudo é leitura, tudo é escrita. “Não existe literatura feminina, existem histórias, existem pessoas”, defendeu a professora Ana Isabel.

“Mulher e homem têm em humanidade o mesmo valor. Dessa minha certeza decorre a necessidade de se mudar muitos valores, muitas práticas e até muitas leis. Mulher e homem são, todavia, diferentes – no físico e no sentir, principalmente. A mulher escreve, portanto diferente do homem, e daí? O que há de mal nisso? Isso é parâmetro para se dizer que é uma literatura inferior?”, questionou a escritora.

“Escrevo como mulher porque é isso que eu sou. Não carrego nenhuma culpa por isso. É uma luta boa, não é tudo paz. Eu gosto de ser mulher”, concluiu, deixando esta lição para todas as pessoas que assistiram às certeiras colocações.